domingo, 27 de fevereiro de 2011

1º ano_A origem da humanidade

A humanidade esta presente em quase toda a superfície da Terra. Povos com culturas diferentes ocupam hoje tanto áreas transformadas por avançada tecnologia quanto territórios onde a natureza original predomina, como as densas florestas tropicais.
Mas nem sempre foi assim. Há milhões de anos, os primeiros grupos de hominídeos viviam restritos a pequenas regiões da África, com escassos recursos para transformar a natureza.
As alternativas encontradas pela humanidade neste longo espaço de tempo constituem o objeto da História — e deste livro. São alternativas que não se resumem apenas a luta peta sobrevivência, mas dizem respeito também as opções de organizações sociais, políticas, econômicas e culturais. Enfim a todos os aspectos das ações e pensamentos dos seres humanos que garantiram sua sobrevivência e deram forma e inteligibilidade ao mundo que conheciam, nas mais diferentes épocas.
Nesta Unidade, iremos acompanhar os momentos Iniciais da humanidade, inclusive a ocupação da América por grupos provavelmente originários da Ásia.

Os primeiros habitantes da Terra
Os primeiros sinais de vida surgiram na Terra há cerca de 3,5 bilhões de anos. Os ancestrais da humanidade, os primeiros hominídeos, só foram aparecer há mais ou menos 4,4 milhões de anos; e os humanos propriamente ditos há menos de 150 mil anos. Foram necessários ainda mais 193 mil anos para começarem a surgir as primeiras organizações sociais complexas, como a dos egípcios e a dos sumérios. Todo esse tempo, o maior da história da humanidade, é também o que menos conhecemos. Não apenas pela distância que nos separa dele, mas principalmente pela falta do registro mais habitual a nós, a escrita, que os humanos só começaram a desenvolver há cerca de cinco mil anos.
1. História ou Pré-História?
Muitos historiadores denominam o período entre o surgimento da humanidade e o da escrita de Pré-História. A origem dessa denominação está associada a uma concepção de História elaborada no século XIX.
Segundo essa concepção, só é possível recuperar o passado pela análise de documentos oficiais escritos, única fonte considerada capaz de conter a verdade dos acontecimentos históricos. Assim, a história de qualquer sociedade só começaria a partir do momento em que houvesse o domínio da escrita; todo o tempo que antecede esse período seria considerado como anterior à História, ou seja, Pré-História.
Hoje em dia, grande parte dos historiadores deixou de acreditar na existência de uma verdade absoluta na história e, também, que o estudo do passado só é possível com documentos oficiais escritos. Longe de buscar uma verdade única, os historiadores acreditam que é possível estudar apenas uma versão dos acontecimentos passados. Para isso, seriam utilizados os mais diversos vestígios produzidos pelo sei humano, como uma obra de arte e mesmo a crença de um camponês que nunca conheceu a escrita.
Sem as amarras dos documentos escritos e da busca de uma verdade absoluta, tudo passou a ser História. E o termo Pré-História deixou de ser excludente, de significar um período da sociedade sem História para denominar um momento do passado no qual os grupos humanos vivenciaram o domínio do fogo, o desenvolvimento da roda, da agricultura e da religião, por exemplo.
2. A origem da humanidade
Atualmente, a origem da humanidade é objeto de estudo de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, como arqueólogos, paleoantropólogos, geólogos, biólogos, etc. Suas pesquisas baseiam-se em vestígios da atividade humana ou da natureza que sobreviveram ao tempo, como fósseis-, restos de armas, utensílios de uso diário, pinturas, desenhos, restos de fogueiras e de vegetação.
Esses vestígios, no entanto, são raros e difíceis de ser encontrados. Muitas vezes, escondidos em cavernas ou soterrados por diversas camadas de solo, são achados de forma casual e por não especialistas. Recentemente, exploradores de cavernas localizaram no sul da França galerias subterrâneas com pinturas rupestres e objetos estimados em mais de 20 mil anos de idade. A descoberta, considerada uma das mais importantes dos últimos anos na área, poderá contribuir para o estudo da linguagem simbólica dos povoadores da Terra.
Por essas características, o conhecimento das origens da humanidade é extremamente provisório. O que se sabe é modificado com bastante rapidez diante do surgimento de novas fontes de pesquisas e do aperfeiçoamento das técnicas de análise. Até bem pouco tempo, por exemplo, acreditava-se que o povoamento da Terra havia ocorrido a partir do desenvolvimento de um único grupo de hominídeos formado no nordeste da África. Esse grupo, depois de se estabelecer em região de clima favorável irradiou-se em ondas sucessivas de migrações até as mais remotas partes do mundo, inclusive a América. Entretanto, a descoberta recente de fósseis cm outras regiões africanas tem levado os pesquisadores a rever essa teoria. Os fósseis demonstram que diferentes culturas dc hominídeos viveram ao mesmo tempo nesse continente, ou seja, a origem da humanidade não deve estar concentrada em um único grupo, mas em diversos grupos contemporâneos espalhados pela África.
O caminho da evolução
De modo geral a humanidade é vista como o resultado da evolução de um tronco antigo de primatas. Em determinado momento, o tronco se dividiu em dois grupos — os Pongidae e os Hominidae —, cada um apresentando sua evolução própria. O grupo dos Pongidae, ou pongídeos, deu origem ao dos grandes macacos modernos: gorila, gibão, chimpanzé e orangotango. No grupo dos Hominidae, ou hominídeos, desenvolveram-se dois gêneros: o Australopithecus e o Homo. De cada um desses grupos, originaram-se diversas espécies, como o Australopithecus afarensis, o Homo erectus e o Homo sapiens. Dessas espécies, apenas a nossa, a do Homo sapiens moderno, sobrevive.
Vejamos a seguir os principais grupos de hominídeos nesse longo caminho evolutivo:
O Australopithecus
O mais antigo hominídeo conhecido é o Australopithecus. Seus antecessores são desconhecidos; também não se sabe quando e onde a evolução dos hominídeos se separou dos Pongidae, tornando-se independente.
Só será possível desfazer esse mistério com o avanço das pesquisas. Fósseis do Australopithecus foram encontrados em diversas regiões da África. Os membros desse gênero formaram seis espécies diferentes, que viveram ao mesmo tempo ou em períodos diferentes. Estudos recentes revelam que esses primeiros hominídeos viveram entre 4,4 milhões e 1,2 milhão de anos atrás. Tinham postura ereta e possuíam crânio pequeno.
O Homo habilis e o Homo erectus
O Homo habilis é o primeiro hominídeo do gênero Homo de que se tem conhecimento. Ele viveu há cerca de 2.5 milhões de anos e foi contemporâneo do Australopithecus, mas com capacidade craniana ampliada. Além de raízes e sementes, alimentava-se de carne, o que era possível pelas características da arcada dentária.
O Homo erectus deve ler surgido mais ou menos 700 mil anos depois do aparecimento do Homo habilis,
ou seja, há 1,8 milhão de anos. Possuía maxilar e mandíbula maciços e dentes grandes. Seu cérebro era maior que o do Homo habilis c seus membros possibilitavam uma postura mais ereta. Foi o primeiro hominídeo a povoar a Europa e a Ásia. A partir dele deve ter evoluído, há mais ou menos 300 mil anos, o Homo sapiens —espécie que deu origem ao Homo neandertalenses e ao Homo sapiens moderno, espécie da qual fazemos parte e que deve ter surgido há menos de 150 mil anos.
O Homo neanderthalensis
Um fóssil do homo neanderthalensis foi encontrado na Alemanha. Houve descobertas desse hominídeo também na França, Iugoslávia, Palestina e África do Sul. Sua idade pode chegar a 230 mil anos. A espécie se caracterizava por fronte oblíqua, maxilar e mandíbula maciços, aspecto anguloso na região occipital e queixo muito retraído. Sua capacidade de raciocínio era elevada. Vivia em cavernas c deixou inúmeros traços de sua existência. Hoje, acredita-se que desapareceu há 30 mil anos.
O Homo sapiens moderno
Entre 150 mil e 100 mil anos atrás surgiu o Homo sapiens moderno. Alguns milhares de anos depois, todas as outras espécies de hominídeos estavam extintas. A anatomia desse primeiro Homo sapiens moderno é muito semelhante à nossa. Em um curto espaço de tempo, do ponto de vista biológico, essa espécie se espalhou pelo mundo, conquistando a Oceania e a América, que não haviam sido ocupadas por nenhum outro grupo de hominídeos. Acredita-se que um dos fatores principais dessa conquista tenha sido o desenvolvimento da linguagem, que ampliou a comunicação entre os membros do grupo.
O Homo sapiens moderno soube aproveitar também as conquistas anteriores, como o domínio do fogo e as técnicas de fabricação dc instrumentos. Por volta de 40 mil anos atrás, começaram a surgir as primeiras pinturas no interior de cavernas, sinal do desenvolvimento de uma linguagem simbólica e de uma vida social mais complexa.
3. As principais conquistas da humanidade na Pré-História
Para facilitar, os historiadores costumam dividir o estudo dos primeiros tempos da humanidade em três etapas:
    Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada (do surgimento da humanidade até 8000 a.C);
   Nova Idade da Pedra ou Neolítico ide 8000 a.C. até 5000 a.C);
   Idade dos Metais (do SOOO a.C. até u surgimento da escrita).

Essa divisão da História, assim como o termo Pré-História, deve ser utilizada com certas ressalvas. Elaborada a partir dos princípios evolucionistas, ela organiza o passado das sociedades em etapas sucessivas. Determinada sociedade, por exemplo, pode ser classificada em um estágio de selvagem, barbárie ou civilização, conforme sua organização social e o domínio técnico-científico da natureza. Civilização seria posterior à escrita; selvageria é barbárie, características dos grupos pré-históricos. Estes teriam formado comunidades e não sociedades, típicas da civilização; teriam tido cultura e não civilização. A civilização corresponderia a um estágio mais complexo da evolução, no qual a cultura é apenas um dos seus elementos, junto com o econômico, o social e o político, por exemplo.
Muitos dos povos que viviam na América antes da chegada dos europeus não utilizavam o ferro ou a escrita e migravam constantemente. Conforme os critérios dessa divisão histórica, eles seriam classificados como pré-históricos.
Tal critério apresenta grande fragilidade. As etapas da História foram elaboradas a partir do estudo do passado da sociedade européia. Com isso, as transformações dessa sociedade passaram a ser o modelo a partir do qual são julgados todos os outros povos. Espera-se que qualquer sociedade percorra um mesmo caminho: parta da selvageria para atingir a moderna sociedade industrial. Nessa classificação, os europeus estariam sempre no estágio mais avançado da História.
Entretanto, os agrupamentos humanos nunca percorrem um mesmo trajeto. Essa interpretação da História, baseada nos princípios evolucionistas, desconsidera a grande diversidade cultural existente entre os grupos humanos c o fato de que, diante de determinado problema, cada sociedade se organiza de um modo próprio, resultando em culturas diferentes. As sociedades tribais de hoje, por exemplo, não se assemelham em nada às antigas culturas e tampouco chegarão um dia a ser como as atuais sociedades européias; irão, sim, trilhar o próprio caminho, muito diferente do trilhado pelos europeus. Nem por isso serão superiores ou inferiores a qualquer outra cultura.
Vale a pena frisar-, cada sociedade percorre seu caminho. Cada povo tem sua própria cultura e civilização, que devem ser compreendidas no seu momento histórico exato; do contrário, não estamos estudando História, mas tentando demonstrar a superioridade da sociedade européia sobre as demais.
Essa divisão, ainda, pode gerar a idéia de que em determinado momento toda a humanidade estaria em um único estágio de desenvolvimento. No Neolítico, por exemplo, pode-se imaginar que todos os grupos humanos teriam domínio do fogo, da agricultura e das técnicas de polir pedras. Na realidade, isso não ocorre. Enquanto os egípcios se organizavam para controlar as cheias do rio Nilo e construir pirâmides, outros povos sobreviviam da coleta, da caça e da pesca, dispondo de escassos recursos tecnológicos.
Apesar de todas as ressalvas, essa divisão da História pode nos auxiliar no estudo do passado, ao servir como referência temporal e para a sistematização do conhecimento histórico. Ao lermos que a agricultura foi desenvolvida no Neolítico, sabemos que isso aconteceu entre 8000 e 5000 a.C; que se não era um procedimento comum a todos, ao menos naquele momento alguns grupos humanos já a praticavam. Feitas as ressalvas, vamos estudar o que aconteceu de mais importante nos primórdios da humanidade.
O Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada
O Paleolítico é o mais extenso período da história da humanidade, estendendo-se desde o seu surgimento, por volta de 4,4 milhões de anos, até 8000 a.C. Nessa época, a baixa temperatura obrigava os grupos de hominídeos a viver em cavernas Sem conhecer a agricultura e a criação dc animais, eles se alimentavam da caça, da pesca e da coleta de frutos, o que os obrigava a uma vida nômade.
Uma descoberta-chave nesse período foi o domínio do fogo. Estima-se que o fogo passou a ser controlado pela humanidade há 500 mil anos, na África oriental. Com seu controle, os seres humanos tornaram-se mais independentes da natureza, pois passaram a aquecer o ambiente em que viviam, a cozinhar os alimentos, a melhorar sua proteção, etc.
Os instrumentos utilizados, a princípio, eram de osso e madeira; depois, de pedra e marfim. Utilizava-se também um machado de pedra afiada. Com as lascas, fabricavam-se facas e outros instrumentos pontiagudos. Por isso, o período também c conhecido como Idade da Pedra Lascada.
Por volta de 30000 a.C, um resfriamento intenso, a quarta glaciação, cobriu de gelo o norte da Europa; e o Homo sapiens moderno já era predominante em quase todo o mundo. Caçava com armadilhas animais grandes, como mamutes e renas, e fabricava objetos mais complexos, como arpões e agulhas. Começavam a aparecer também as pinturas rupestres.
A Nova Idade da Pedra ou Neolítico
Esse período é conhecido também como Idade da Pedra Polida, porque a pedra, depois de lascada, era esfregada no chão ou na areia, até tornar-se polida. Nessa época, novas modificações climáticas alteraram a vegetação. O gelo recuou e, com ele, a fauna. Centro e norte da Europa tornaram-se temperados. O norte da África ficou ressequido c a região do Saara se transformou num deserto. Aumentaram as dificuldades para caçar; seres humanos e animais passaram a procurar as margens dos rios. Tudo isso contribuiu para a sedentarizarão e o desenvolvimento da agricultura, com o plantio de trigo, cevada e aveia. Os grupos humanos passaram a domesticar alguns animais, surgindo, por exemplo, os pastores de ovelhas. Surgiram os primeiros aglomerados populacionais, com finalidade principalmente defensiva; por isso, esses aglomerados eram cercados de fossos e paliçadas.
Nos lagos, os grupos humanos passaram a construir suas casas sobre estacas, as palafitas. Para armazenar cereais, faziam potes de barro, dando origem à cerâmica. Começaram a fabricar também os primeiros tecidos dc lã e Unho, cm substituição aos trajes confeccionados com peles de animais. Apareceram os primeiros trabalhos em metais pouco duros, como cobre e ouro. Começaram as viagens por terra e por mar. A organização social, denominada comunidade primitiva, baseava-se nos laços de sangue, idioma e costumes. A economia era fundamentada na exploração direta da natureza e o solo pertencia a todos.
A transformação dessas comunidades estava relacionada ao desenvolvimento dc novas formas de produção — agricultura, criação de gado, artesanato — e processou-se em duas direções: no sentido de ampliar a posse e a propriedade individual dos bens e no sentido da transformação das antigas relações familiares.
A Idade dos Metais
O desenvolvimento de técnicas de fundição de metal possibilitou o abandono progressivo dos instrumentos de pedra, ü primeiro metal a ser fundido foi o cobre, graças a sua pouca dureza. Seguiu-se o estanho, o que permitiu a obtenção do bronze, resultante da liga desses dois metais. Por volta de 3000 a.C. produzia-se bronze no Egito e na Mesopotâmia. Introduzido em Creta, esse metal passou à Grécia e chegou à península Ibérica em cerca de 2500 a.C.
A metalurgia do ferro é posterior. Tem início apenas por volta de 1500 a.C, na Ásia Menor. Por ser um minério mais difícil de extrair e ser trabalhado difundiu-se lentamente. Mas, em razão de sua superioridade para a fabricação de armamentos, o ferro contribuiu decisivamente para a supremacia dos povos que souberam aperfeiçoá-lo com essa finalidade.
Questões propostas
1. Explique a origem do termo Pré-História e o seu significado atual.
2. Quais as teorias existentes sobre o povoamento da Terra?
3- Elabore um quadro resumido dos principais grupos de hominídeos.
4. Em que período surgiu o Homo sapiens moderno?
5. Que fragilidade apresenta a divisão da História elaborada a partir dos princípios evolucionistas e em que ela pode nos auxiliar?
6. Quais as principais conquistas ocorridas no Paleolítico, no Neolítico e na Idade dos Metais?



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